… bem, não exactamente … The Cloud.
Estive a ler uns artigos sobre a experiência duma empresa na migração dos seus sistemas para os serviços da Amazon AWS (Amazon Web Services): S3 (Simple Storage Service) e EC2 (Elastic Cloud Computing).
A empresa Helpstream oferece uma solução de Helpdesk aos seus clientes e mantinha os seus próprios servidores, uma prática habitual e aceite universalmente. Como a crise é para (quase?) todos, reavaliaram a sua situação e analisaram a oferta de serviços feita pela Amazon, que acharam muito competitiva.
Coisas a destacar:
- Apesar de se decidir pela Amazon, mantiveram outras opções em aberto para o caso de as coisas não correrem tão bem
- O processo foi gradual, executando cada passo individualmente, confirmando, e só depois passar para a seguinte acção
- Todo o processo foi executado sem falar com pessoal da Amazon
- A escolha dum fornecedor como Amazon foi feita tendo em conta que não haveria conflito de interesses (isto é: a Amazon não oferecer serviços que competissem directamente com a Helpstream)
A empresa começou por fazer alguns testes no sistema e passou a realizar cópias de segurança para o serviço S3. Rápido e limpo e eficiente em termos de custo, com o benefício adicional de que os dados são automaticamente distribuídos entre centros em diferentes localizações físicas.
O seguinte passo foi mover muita da documentação em bases de dados e anexos de correios também para o S3. As bases de dados locais ficaram muito mais rápidas.
Finalmente, os serviços dos próprios servidores foram replicados no EC2 e foram transferindo clientes para lá progressivamente.
A conclusão deste processo levou a reduções significativas nos custos de manutenção de IT e numa redução da carga de trabalho. Houve ainda um benefício inesperado, que os clientes acharam que o serviço era mais rápido do que antigamente.
Vamos ver se esta tendência de usar The Cloud para fornecer os serviços se consolida ou não.
O grande medo de mudar para The Cloud é a perda de controlo sobre os sistemas e dados, e de que se todo o negócio fica dependente dos poucos fios pelos quais circulam os dados. Um corte nesse fio e ficamos sem empresa.
Por outro lado, se os custos que conseguimos cortar realmente ajudam a empresa a avançar de forma significativa, pode ser uma vantagem competitiva (poderão ser elaborados planos de contingência razoáveis?).
Se em lugar de falar de serviços informáticos estivéssemos a falar da electricidade, faz mais sentido dependermos de empresas fornecedoras de elctricidade com grandes geradores (nucleares, barragens, etc) que ocasionalmente podem falhar, ou cada casa e empresa ter o seu próprio gerador individual, caro, pouco eficiente mas próprio e controlado?
Duvido que alguém discuta os benefícios de ter uma empresa que nos fornece a electricidade sem ter que nos preocupar com isso. Temos uma factura a final de mês e acabou. Para alguns particulares e empresas, pode fazer sentido ter um gerador individual, que permita manter, se não todos, parte dos serviços activos no caso da falha do nosso fornecedor.
Se seguirmos este modelo, faria sentido a mudança dos serviços para The Cloud, e aceitar como facto da vida que pontualmente teremos interrupções nesse serviço. Poderíamos avaliar os custos e determinar se justifica ter um sistema redundante para essas situações.
O tempo dirá.
Os artigos originais podem ser lidos aqui:
http://blogs.zdnet.com/BTL/?p=11275
http://smoothspan.wordpress.com/2008/12/08/one-week-later-on-amazon-web-services/
http://corpblog.helpstream.biz/helpstream-blog/2008/12/8/one-week-later-on-amazon-web-services.html