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O Kindle já era

July 18th, 2009 No comments

20090717-t3722tnq7c2dqs2sk459g7mgdn A Amazon anda há 1 ano a tentar que os seus clientes comprem o Kindle, um aparelho para ler livros semelhante ao IPhone, isto é, vendido e controlado inteiramente pela casa mãe. O Kindle é vendido pela Amazon, e só executa as funções determinadas pela Amazon. As compras de livros são feitas através da rede de telemóvel mas em acordo com a Kindle e em servidores da Amazon.

A Amazon andou a vender os livros “1984” e “Animal Farm” de George Orwell, e os felizes possuidores dos Kindle podiam ler esses livros após pagar por eles.

Entretanto a Amazon teve um problema com os copyrights dos mesmos, e reparou que não podia estar a vendê-los (por quaisquer motivos legais). Que fizeram os génios da Amazon? Fizeram uma demonstração de força e apagaram os livros comprados dos dispositivos dos seus clientes!

Podem ler um pouco da história aqui: http://www.engadget.com/2009/07/17/amazon-remotely-deletes-orwell-e-books-from-kindles-unpersons-r/

Isto deixa em evidência um comportamento com uma falta de ética enorme.

Se quem cometeu o gafe foi a Amazon, a empresa devia ter assumido o gafe e pago o que tivessem que pagar e passar à frente.

Ao ter este comportamento mesquinho, prejudicaram os clientes e certamente há de ter consequências em futuras vendas, para além das consequências imediatas na imagem da empresa perante o público.

Do meu lado, há muito que teria gostado de adquirir um Kindle. Após esta notícia, duvido que alinhasse. Nunca na vida colocaria todos os meus livros num dispositivo onde qualquer um pode apagá-los ou modificá-los sem a minha autorização.

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A Nuvem

December 18th, 2008 No comments

… bem, não exactamente … The Cloud.

Estive a ler uns artigos sobre a experiência duma empresa na migração dos seus sistemas para os serviços da Amazon AWS (Amazon Web Services): S3 (Simple Storage Service) e EC2 (Elastic Cloud Computing).

A empresa Helpstream oferece uma solução de Helpdesk aos seus clientes e mantinha os seus próprios servidores, uma prática habitual e aceite universalmente. Como a crise é para (quase?) todos, reavaliaram a sua situação e analisaram a oferta de serviços feita pela Amazon, que acharam muito competitiva.

Coisas a destacar:

  • Apesar de se decidir pela Amazon, mantiveram outras opções em aberto para o caso de as coisas não correrem tão bem
  • O processo foi gradual, executando cada passo individualmente, confirmando, e só depois passar para a seguinte acção
  • Todo o processo foi executado sem falar com pessoal da Amazon
  • A escolha dum fornecedor como Amazon foi feita tendo em conta que não haveria conflito de interesses (isto é: a Amazon não oferecer serviços que competissem directamente com a Helpstream)

A empresa começou por fazer alguns testes no sistema e passou a realizar cópias de segurança para o serviço S3. Rápido e limpo e eficiente em termos de custo, com o benefício adicional de que os dados são automaticamente distribuídos entre centros em diferentes localizações físicas.

O seguinte passo foi mover muita da documentação em bases de dados e anexos de correios também para o S3. As bases de dados locais ficaram muito mais rápidas.

Finalmente, os serviços dos próprios servidores foram replicados no EC2 e foram transferindo clientes para lá progressivamente.

A conclusão deste processo levou a reduções significativas nos custos de manutenção de IT e numa redução da carga de trabalho. Houve ainda um benefício inesperado, que os clientes acharam que o serviço era mais rápido do que antigamente.

Vamos ver se esta tendência de usar The Cloud para fornecer os serviços se consolida ou não.

O grande medo de mudar para The Cloud é a perda de controlo sobre os sistemas e dados, e de que se todo o negócio fica dependente dos poucos fios pelos quais circulam os dados. Um corte nesse fio e ficamos sem empresa.

Por outro lado, se os custos que conseguimos cortar realmente ajudam a empresa a avançar de forma significativa, pode ser uma vantagem competitiva (poderão ser elaborados planos de contingência razoáveis?).

Se em lugar de falar de serviços informáticos estivéssemos a falar da electricidade, faz mais sentido dependermos de empresas fornecedoras de elctricidade com grandes geradores (nucleares, barragens, etc) que ocasionalmente podem falhar, ou cada casa e empresa ter o seu próprio gerador individual, caro, pouco eficiente mas próprio e controlado?

Duvido que alguém discuta os benefícios de ter uma empresa que nos fornece a electricidade sem ter que nos preocupar com isso. Temos uma factura a final de mês e acabou. Para alguns particulares e empresas, pode fazer sentido ter um gerador individual, que permita manter, se não todos, parte dos serviços activos no caso da falha do nosso fornecedor.

Se seguirmos este modelo, faria sentido a mudança dos serviços para The Cloud, e aceitar como facto da vida que pontualmente teremos interrupções nesse serviço. Poderíamos avaliar os custos e determinar se justifica ter um sistema redundante para essas situações.

O tempo dirá.

Os artigos originais podem ser lidos aqui:

http://blogs.zdnet.com/BTL/?p=11275

http://smoothspan.wordpress.com/2008/12/08/one-week-later-on-amazon-web-services/

http://corpblog.helpstream.biz/helpstream-blog/2008/12/8/one-week-later-on-amazon-web-services.html

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